Hiperacusia e níveis plasmáticos de citocinas na enxaqueca
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https://doi.org/10.48208/HeadacheMed.2025.7Palavras-chave:
Hiperacusia, Migrânea, Citocina, InterleucinasResumo
Introdução
A enxaqueca é uma dor crônica que representa um problema de saúde pública e compromete a qualidade de vida, com fator inflamatório envolvido em sua fisiopatologia.
Objetivo
Verificar se há aumento de citocinas séricas em pacientes com enxaqueca associada à hiperacusia.
Métodos
A amostra foi composta por 80 participantes do grupo enxaqueca episódica e/ou crônica, com/sem aura, e 80 indivíduos saudáveis; com idade entre 18 e 60 anos, de ambos os sexos. Instrumentos utilizados: ID-migraine, Migraine Disability Assessment (MIDAS); Short-Form Headache Impact Test (HIT-6), State Trait Anxiety Inventory (STAI) Y1 Y2, Beck Inventory, Allodynia and Hyperacusis Questionnaire; dosagem de interleucina por citometria de fluxo.
Resultados
A amostra foi homogênea quanto ao sexo, idade e raça (p>0,05). Houve associação entre hiperacusia e enxaqueca (p<0,001). 41,2% dos pacientes com enxaqueca apresentaram hiperacusia. A maioria da população com enxaqueca apresentou fonofobia (87,8%); fotofobia (93,7%); osmofobia (61,5%); enxaqueca episódica (65,4%); pródromo e pós-dromo em 80% deles; metade deles não apresentou aura (52%) ou alodínia (53,2%). Em relação aos níveis séricos de citocinas, eles apresentaram níveis mais elevados de IL-2 e TNF-α (Mann-Whitney, p<0,001). INF-γ, IL-4, IL-6, IL-10 no plasma não diferiram estatisticamente entre os grupos controle e enxaqueca (Mann-Whitney, p>0,05). Foi observada a associação da hiperacusia com as citocinas IL-2, IL-4 e TNFA (Mann-Whitney, p>0,05) em pacientes com enxaqueca.
Conclusão
Foi possível verificar que houve diferença significativa nos níveis plasmáticos de citocinas entre os grupos. O aumento dos marcadores inflamatórios indica a possibilidade de tratamento complementar, permitindo a intervenção de outros profissionais de equipes multi e interdisciplinares.
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Referências
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