Consenso Latino-Americano para as Diretrizes de Tratamento da Migrânea Crônica

Publicado na 4ª edição de 2012

A Classificação Internacional das Cefaleias é o resultado de um esforço grandioso para elaborar um sistema taxonômico das diferentes condições que ocorrem com cefaleia, estando nela catalogadas mais de 200 condições mórbidas em sua segunda edição (International Headache Classification [ICHD-II], 2004).(1)De maneira simplificada, pode-se dividir as cefaleias em três grupos:

  • Cefaleias primárias: condições cujos mecanismos são eminentemente neuroquímicos;
  • Cefaleias secundárias ou "atribuídas a": quando há um mecanismo bem determinado passível de provocá-la, como cefaleia atribuída à meningite bacteriana;
  • Neuralgias cranianas.
A migrânea (ou enxaqueca) é o exemplo típico de cefaleia primária. Trata-se de uma afecção neurológica recorrente, por vezes progressiva e altamente prevalente. Tipicamente, a crise de migrânea se caracteriza por cefaleia de intensidade moderada a forte, predominante em um dos lados da cabeça, com caráter pulsátil e que piora com os esforços físicos. Frequentemente, associase a náusea, vômitos, fotofobia e fonofobia. As pessoas afetadas devem apresentar exames físico e neurológico normais.O termo crônica é usado na ICHD-II em três situações distintas:
  • Para se referir à cefaleia que persiste por um período de tempo superior a três meses do evento ou da resolução do processo que a originou (por exemplo,cefaleia pós-traumática crônica);
  • Para designar cefaleias que perduram por um período de tempo maior que o convencionado paracategorizar uma dada cefaleia como episódica (por exemplo, cefaleia em salvas crônica);
  • Quando a cefaleia está presente em 15 ou mais dias por mês, por mais de três meses. Essa é a acepçãodo termo crônica em migrânea crônica.
A migrânea crônica é uma condição com prevalência significativa em todo o mundo, com alto impacto socioeconômico e seu manuseio tem desafiado os neurologistas. Os avanços na compreensão de seus mecanismos e das condições a ela associadas, bem como nas novas terapêuticas, têm sido rápidos e importantes, fato que motivou a Sociedade Latino- Americana e a Sociedade Brasileira de Cefaleia a elaborar o presente consenso.


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